12 agosto 2017

Algarve mediterrânico


A capa do livro já me era familiar, vi este livro há dias na Fnac, não o folheei pensando ser só mais um livro de culinária.

No último Mercado fora d'horas em Silves deste ano, tive a oportunidade de participar nas "Conversas sobre Cozinha Tradicional Algarvia" - A comida e o Olhar, onde um dos oradores convidados foi Vasco Célio, fotógrafo, co-autor deste livro. 

Uma conversa informal sobre o a importância da imagem relacionada com a comida, uma imagem vale por mil palavras, conseguimos nós sentir o paladar e o cheiro ao ver uma imagem de um bom prato? Vasco Célio falou com tanto carinho sobre o "Algarve mediterrânico" e sobre o trabalho fotográfico que desenvolveu ao longo dos quatro anos da recolha de imagens, que confesso, fiquei com vontade de conhecer o livro! 

Como a minha infância e adolescência foi vivida no mundo rural, no interior algarvio, sabia que ia apreciar o livro e adquirir novos conhecimentos sobre o nosso património cultural / gastronómico algarvio, no meu caso também viajei no tempo! 

Estávamos nos anos 70/ 80 vivíamos numa quinta com 15 ha de citrinos, os meus pais eram "quinteiros" nessa quinta, a nossa alimentação era feita com os produtos da terra que o meu pai cultivava. Fruta havia muita, tínhamos fartura de tudo, gostava de apanhá-la  da árvore e comer, raramente tínhamos fruta na fruteira. 

Belos pêssegos, belas uvas, nêsperas, damascos, ameixas, figos, laranjas, etc., etc. as frutas da época como a melancia, enormes... às vezes ao final da tarde nós e os trabalhadores da quinta comíamos uma melancia e eu estava sempre de olho no castelo (o centro da melancia que não tem sementes). 

Fazíamos as matanças do porco, o pão cozido no forno de lenha, as caracoladas e as caldeiradas de enguias apanhadas no rio. A minha mãe raramente ia a um talho, comíamos frango do campo, coelho, porco, ovos. O peixe, passava um peixeiro numa motorizada, transportava o peixe numas caixas de madeira com gelo, a sardinha o carapau, a cavala, o peixe espada. Fazíamos grandes assadas e comíamos às vezes debaixo da grande nogueira ao lado do tanque da rega. Na altura não apreciava todos os pratos nem todos os sabores, havia um prato que a minha mãe me incumbia de cozinhar... eu detestava fazê-lo 😁 - Cozinha de batatas.

É um prato desta região do interior algarvio consiste em fazer um refogado com cebola, alho, azeite, tomate, acrescentar água, sal, pimenta, deixar ferver, juntar feijão verde e batatas às rodelas, quando estiver cozido, fatiar pão caseiro dispor no fundo de uma "pelengana" (tigela grande de loiça vidrada) e deitar o preparado por cima das fatias do pão. Eu fazia umas variantes, às vezes punha linguiça, salsa, cenoura, hortelã. 

O pai dizia sempre que estava óptimo 😉 adorava as minhas cozinhas de batata! Eu detestava cozinhar este prato, dizia: lá vou ter que cozinhar batatas com batatas!

Outra tarefa que me incumbiam de fazer era: ferver o leite,  ficava de plantão frente ao fogão a controlar o fervedor, às vezes distraía-me e lá vinha o leite para o lume! 😀 Limpar o fogão era a palavra de ordem!

Tenho tantas saudades desses tempos... éramos tão felizes e não sabíamos! 

10 agosto 2017

Terminei o SpliTTop

Duas semanas foi o tempo que demorei a tricotar o SpliTTop! Nas primeiras voltas surgiram dúvidas sobre como tricotar as carreiras encurtadas, estive para desistir... as instruções com onze páginas escritas em inglês assustaram-me 😀 fiquei dois ou três dias bloqueada, depois com calma fiz o que costumo fazer: peguei nas agulhas e no fio, fui lendo e seguindo o que está escrito, a designer menciona os links de alguns vídeos onde explicam algumas técnicas. 

O facto de tricotar à portuguesa complica um bocado, (já me habituei a tricotar com o alfinete de tricot), é mesmo uma questão de hábito!

O Splittop foi uma aventura, um desafio do princípio ao fim! Para já não penso repetir 😂 este modelo é preciso estar motivado para tricotá-lo! 

Adorei o resultado!!! É confortável, não ficou justo porque pareceu-me que o tamanho S ficaria apertado, não queria que marcasse o corpo optei pelo tamanho M, o fio é muito macio, os tons são exactamente como eu idealizei 😀!

Portanto tenho todos os motivos e mais alguns para estar satisfeita! Consegui tricotar o SpliTTop com design by LaMaisonRilile!!!

Seguem-se uns dias de férias das agulhas depois, bem... depois tenho uma encomenda de uma top- down 😜 quem diz que não a uma encomenda de uma amiga?

Boas férias, bons tricots!!!

nota: mais detalhes sobre o projecto aqui:










07 agosto 2017

"Tricot a metros"

Este é o estado da nação do meu SpliTTop! Este fim de semana foi muito produtivo, avancei bastante o corpo do top, fartei-me de dar às agulhas ansiosa por chegar ao canelado, tem sido um grande desafio 😀, é um modelo complexo, com uma construção cheia de pormenores. 

Estamos na fase dos acabamentos, comecei ontem o I-cord que falta para terminar o corpo, depois seguem-se as mangas e o decote, vamos ver se consigo ultrapassar os próximos dilemas!!! 😠



31 julho 2017

Notícias do SpliTTop

Antes de mais muito obrigada pelas vossas visitas, comentários e palavras de incentivo! 

Este é o projecto mais difícil que tricotei até hoje 😅 logo no inicio surgiram duvidas com as carreiras encurtadas, já tinha feito mas com outra técnica. Este modelo é muito complicado para tricotar, se for preciso desmanchar é um quebra cabeças para saber onde colocar os marcadores e localizar onde recomeçar nas instruções, enfim... teve avanços e recuos e neste momento está numa fase mais relaxada 😁, ontem desmanchei vinte carreiras para rectificar um engano, em segundos lá se foi o trabalho de um serão até às 03:00 h da manhã 😑! Quando há um engano daqueles que se pode corrigir mais vale desmanchar e voltar a tricotar!

Comecei por fazer a amostra com agulhas de 3,25 mm, o resultado aproxima-se do pretendido, para um busto com 90 cm optei pelo tamanho M. 

Algumas imagens da evolução: 

Mais detalhes deste trabalho no meu perfil do ravelry.





29 julho 2017

Cultivar em pouco espaço

Pode parecer loucura, em poucos metros quadrados tenho habitualmente cinquenta vasos com plantas em casa! 😀 A maior parte dos vasos estão num canto na varanda e os outros estão na sala, não tenho as mãos verdes, algumas plantas sofrem um bocado com água a mais ou água a menos, não uso muitos fertilizantes e afins. 

Encho garrafões com água da torneira e reservo um dia ou dois antes de regar para evaporar o cloro, dizem que é mais saudável para as plantas. Quando está mais seco, ou quando estou com pressa, rego com a mangueira, por um lado é mais prático mas por outro não é a melhor forma de regar, devido à necessidade diferente de água de cada  planta, água a  mais para algumas... é o fim!

Na Primavera apostei nas plantas aromáticas, algumas não são fáceis de cultivar , outras não se dão aqui com o calor, morreram algumas (a salva, o tomilho limão e o manjericão). 

As pragas, é preciso estar atento às pragas, elas aparecem quando menos se espera! Quase sempre invisíveis a olho nu, porque são pequenas ou estão camufladas (foi o caso das lagartas verdes que descobri na menta) comeram as folhinhas deixando só os troncos; dei um corte drástico na planta recuperou em pouco tempo 😏. 

O piripireiro é o menino dos meus olhos, comprei a planta pequena num mercado em Quarteira, cresceu, cresceu... está quase da minha altura 😊, dei conta de uma praga que apareceu antes da floração,  apliquei um fungicida para resolver o problema, tinha curiosidade em ver a planta vingar e ficar sarapintada de vermelho! Não é que consegui? Está ainda no vaso que a plantei inicialmente, um vaso pequeno para o tamanho da planta, tem que estar amarrada ao loureiro para não tombar com o vento! 😀 Está carregada de piripiri. 

Hoje foi dia de cultivar em pouco espaço, uma trabalheira daquelas! Mas sabe tão bem ter a natureza dentro de casa! 












25 julho 2017

SplitTop

Tudo a postos para dar início a mais um desafio ambicioso: Tricotar o modelo SPLITTOP com design criado por Rililie - La Maison Rililie designs.

É um top de Verão em tricot para quem se encontra num nível médio, a designer refere que é um projecto de nível avançado 😱 ai, ai onde é que eu me vou meter???

As instruções têm onze páginas, tanta página para tricotar uma camisola... em inglês para dificultar ainda mais!

Vou usar estes dois tons de fios da Holts Garn - Coast com 55% de merino e 45% de algodão de espessura fingering, aliás é o fio indicado nas instruções. 

Espero tricotar ainda hoje a amostra, para talvez amanhã começar a montagem das malhas nas agulhas. Vai ser um projecto para Agosto, tem estado imenso calor, não me tem apetecido tricotar com lã; como este fio é mais fresco espero ganhar entusiasmo 😁, além disso, tenho andado a namorar este modelo já há algum tempo!

Vou dando notícias do Splittop, até lá fiquem bem, boas férias se for o caso! 

19 julho 2017

Camisola top down dois em um


Desta vez demorei quase um mês a tricotar esta camisola de tricot, fiz e desmanchei duas vezes o corpo até à cava, mas não desisti dela! 

É um projecto "low cost", o fio azul sobrou de outros trabalhos, rendeu bastante o fio que comprei no sótão, o cru sobrou da última camisola é lã 100% da Holst Garn.

Pensei em fazer parte do corpo às riscas finas azul e cru, depois de terminar essa parte não gostei do resultado e desmanchei, depois pensei em fazer lisa toda azul; o trabalho avançava a passo de caracol 😁. Gosto de tricotar com várias cores só que na hora de vestir... estes tons sóbrios são os que combinam melhor com a roupa. 

O modelo dois em um foi dica de alguém que não sabe tricotar, mas tem quase sempre boas ideias 😃. As boas ideias são tão ou mais valiosas quanto o trabalho da executante! 

No "timing"certo a amiga S publicou o link do modelo "walk along" do ravelry, um modelo com uma construção diferente, com uma ideia semelhante de dois em um. Uma ideia daqui, outra dali e nasceu a minha camisola top down 2 em 1 tricotada com sobras de fios!!! É mais uma para a gaveta a pensar no próximo Outono / Inverno. 

08 julho 2017

As meias de Junho

No mês passado andei tão entusiasmada com as costuras esqueci-me de partilhar as meias de Junho aqui no blog, quem segue no face a página do grupo "Meias ao Mês" já viu esta maravilha colorida 😁.

Tricotei este par com um fio mais fresco, com a mania de tricotar a perna alta o fio não chegou para tricotar as meias iguais, ficaram desiguais na biqueira, gosto delas assim... calçadas não se nota este defeito ou feitio 😜.


02 julho 2017

Decorando com flores do campo

Na primavera colhi algumas flores do campo para secar dentro de livros, hoje lembrei-me delas! 

Ficam tão lindas depois de secas, adorei o resultado emoldurado na parede! As mais singelas são as mais bonitas, tão delicadas... tão belas! 

É um projecto demorado, tem que ter paciência para esperar que as flores sequem, apanhar num dia seco e quente, guardar as flores dentro de livros entre duas folhas de papel, para não manchar, esperar duas semanas ou mais, colar a gosto e já está! Fácil, barato e original! 

Original é a minha tapeçaria, lembram-se da manta  em crochet dos quadrados da avó? Nas últimas imagens do post lá está ela a fazer de cabeceira, 😀 adoro estas ideias que para muita gente são decorações de mau gosto, mas para mim são tralhas giras e acolhedoras. 


29 junho 2017

9 anos!


Para comemorar o 9º aniversário do blog, hoje fui presenteada com um nº redondinho, 😁 700.000visualizações! 

Estou de coração cheio💚💛💜 , muito obrigada! 

28 junho 2017

Costurices

Quem me acompanha no Instagram  viu que hoje passei a tarde a "brincar com tecidos" 😁, a minha amiga Agostinha tinha razão quando disse: "Agora com a máquina nova ninguém a pára!" 

No baú ainda há uns metros de pano de lençol, o tal do enxoval, que pelas minhas contas deve ter aproximadamente 38 anos. Há três anos costurei dois jogos de lençol que vos mostrei aqui e aqui, desta vez mais um jogo em branco imaculado, usei umas  aplicações em bordado inglês com motivos muito simples mas bonitos. 

As almofadas apesar de já ter feito, é sempre um quebra cabeças o modelo envelope... levo tempo mas chego lá 😅, os bordados optei por aplicar três bordados num dos lados das almofadas (dois mais largos e um estreito com uns biquitos), para ficar mais vistoso com um aspecto romântico! Adoro bordados! 

Bem... foi a tarde toda à volta com as agulhas e os dedais, valeu a pena... gosto tanto do jogo de lençol feito com este tecido do baú!!!







21 junho 2017

Era uma vez uma alcofa...

Adoro alcofas, especialmente as algarvias 😍 feitas com palma! Esta tenho há muitos anos, foi a minha primeira alcofa para levar ao mercado; com o uso foi ficando velhota e a parte que se estragou foi uma das pegas.

Quando vi que a pega estava partida não deitei a alcofa fora, guardei-a para um dia quando fosse oportuno reparar a dita 😁.

Esta semana lembrei-me dela e reuni alguns materiais que tinha em casa para recuperar a menina alcofa, as pegas tinham sido aplicadas numa pequena mala em fio reciclado que nunca usei, vai daí, achei que ficavam aqui lindamente, o tecido sobrou do jogo de lençois que fiz, já nem me lembrava que tinha sobrado este tecido, que por sorte os tons e o padrão ficaram muito bem aqui.

Forrei a alcofa por dentro, para ficar com um ar mais "clean", pode ser que a use para a praia e assim está mais bonitinha, depois achei que faltava qualquer coisa para decorar, não queria muitas aplicações, berloques e pontinhas, (algumas ficam giras só para a fotografia) porque para usar têm informação a mais 😀 para o meu gosto!

Descobri no baú estas pontinhas em crochet que tinha feito para um eventual cortinado, gostei de ver aqui, uma pequena cortina da avó numa alcofa velhota com mais de vinte anos.

Cosi o tecido com linha invisível, não é fácil... espetei a agulha nos dedos uma meia dúzia de vezes, depois apliquei uma fita que colei com cola própria para tecidos.